Dicas de Cuidados

A vida com o filhote
O filhote é brincalhão e ativo. Ele alterna períodos de agitada comoção com outros de profundas sonecas. É importante que ele aprenda as regras com o mínimo de estresse e trauma emocional. Tenha paciência. Ajude-o a canalizar a energia dele para atividades aceitáveis, que não impliquem em destruição de objetos. Não encoraje comportamentos em seu filhote que sejam inaceitáveis para um cão adulto.
Agora é o momento para seu filhote se acostumar com o toque de mãos sobre o corpo dele, incluindo áreas sensíveis, como orelhas, patas e boca. Isso fará com que ele fique tranqüilo durante o exame veterinário, por exemplo.
Entre sete e doze semanas de idade, seu filhote estará fofinho e dependente de você. Durante esse período, o filhote tem um alto potencial de aprendizado. Entre 12 e 16 semanas, ele poderá ficar mais voluntarioso, traquinas e destruidor. Nessa idade você pode treiná-lo por períodos mais longos. A adolescência começa por volta de quatro e cinco meses, quando o filhote perde os dentes de leite. Esse período pode durar até os sete a nove meses de idade do filhote. Tal qual um adolescente temperamental, seu filhote terá dias de rebeldia e insegurança. Pode ser que você precise reforçar comandos de obediência básica que ele já saiba, em vez de ensinar novos. Seja paciente, seu filhote eventualmente crescerá.
Quando você levar seu filhote para brincar fora de casa, observe-o de perto nas primeiras vezes. Um filhote pode comer flores, arbustos, mobília de quintal e se deparar com perigos e até saídas para a rua que você nem conhecia. Algumas plantas e flores – caso do Oleandro – são venenosas. Há diversas listas de plantas tóxicas na Internet – convém lê-las para se certificar de que em seu quintal não há espécies desse tipo. Veja nesse endereço, as plantas venenosas mais comuns: http://www.kennelclub.com.br/vet/vet15_plantascaseiras.htm
Filhotes mais novos têm dificuldade de subir ou descer escadas. Você precisará carregar seu filhote até que ele esteja grande o bastante para enfrentar as escadas sozinho. Não exercite o filhote em excesso mesmo quando ele estiver maior e mais enérgico. Converse com o veterinário e se informe quanto à idade ideal para aumentar a quantidade de exercícios.

Crianças e o filhote
Tanto crianças quanto filhotes precisam aprender a se comportar na presença um do outro. Filhotes têm dentes afiados que podem assustar as crianças se eles brincarem de morder. Filhotes gostam de pular e suas unhas podem arranhar a pele desprotegida. Durante o crescimento, o filhote pode derrubar e até mesmo machucar uma criança pequena.
Um adulto deve supervisionar o filhote e a criança para se certificar de uma interação segura e apropriada. Crianças devem ser ensinadas a não encorajar o filhote a persegui-las correndo. O filhote deve aprender a nunca correr atrás de crianças ou pular sobre elas. Não permita que a criança brinque de forma bruta com o cão para não estimular mordidas. Provocar o filhote tomando-lhe o brinquedo também não é desejável, pois pode irritá-lo. Ensine as crianças a não provocar o filhote. Quando um cão não quer ser perturbado, ele se levantará e se retirará na área. Nesse momento, ele deve ser respeitado e ficar a sós. Convém também ensinar as crianças a não incomodar o filhote enquanto ele estiver dormindo ou se alimentando.

Viagem de carro
A maioria dos cães gosta de passear de carro. As viagens ficam mais fáceis se o cão não se tornar ansioso, enjoado ou desobediente. Por esse motivo, acostume o filhote desde o início a se comportar no carro. Não permita que ele morda, corra entre os assentos ou coloque a cabeça para fora da janela. Uma variedade de peitorais restritivos está disponível em pet shops e comprar um é importante para que seu cão permaneça de forma segura e confortável dentro do carro. Se seu carro for grande o bastante, seu cão pode também ser transportado dentro do cercado ou da caixa de transporte a que ele já está acostumado.
Comece levando seu filhote em passeios curtos para acostumá-lo. Se você puder parar ocasionalmente para uma visita ao parque ou à casa de um amigo canino, o filhote aprenderá a associar os passeios de carro com uma atividade gostosa. Ensine o filhote a sair do carro calmamente. Ele deve aprender a esperar até que você dê o comando e só então poderá sair.
Fique atento à temperatura externa quando for sair e tiver que deixar o filhote sozinho dentro do carro. A temperatura dentro do carro pode subir mesmo quando janelas são deixadas parcialmente abertas e com o carro estacionado sob a sombra. É relativamente comum, infelizmente, a morte de cães (por insolação, desidratação e asfixia) que foram deixados no carro enquanto seus donos passeavam no shopping ou almoçavam em restaurantes. Portanto, se o dia estiver quente e se você for demorar em seus afazeres, é melhor deixar o cão em casa.
Colocando em prática o crate training (treinamento em gaiola ou cercado)
Cães geralmente aprendem hábitos de higiene com relativa facilidade, mas é preciso manter algumas coisas em mente. Alguns filhotes são muito fáceis de treinar. Esses quase não erram e dentro de poucos dias eles nos mostram que querem ir ao banheiro permanecendo junto à porta. Outros filhotes demoram mais. Uma coisa é certa: se você passa pouco tempo em casa, o treino de higiene se torna mais difícil e demorado.
O cercado tornará o treino do xixi muito mais eficiente e fácil. Manter o filhote no cercado (ou caixa de transporte) quando você não pode supervisioná-lo evita acidentes com o filhote solto dentro de casa. O uso do crate reduz muito o tempo de assimilação do filhote ao treinamento sanitário e evita expor o filhote ao estresse contínuo das broncas cada vez que ele erra o lugar do xixi ou do cocô.

Consistência
Como acontece com qualquer tipo de treinamento, consistência é a chave do sucesso. Filhotes apresentam quatro momentos básicos nos quais precisam urinar/defecar: assim que acordam pela manhã, imediatamente após cada refeição, uns 15 minutos após brincar e antes de dormirem à noite.
Elabore um esquema para o seu filhote de modo que ele seja levado para se aliviar nesses quatro momentos, sempre nos mesmos horários, diariamente. Além de criar uma rotina de levar o filhote “ao banheiro” várias vezes ao dia, ofereça as refeições dele sempre nos mesmos horários. Essas duas ações – as idas regulares ao sanitário do filhote mais as refeições servidas nos mesmos horários – ajudarão muito o filhote a entender e assimilar o treinamento.
Assim que você acordar, pela manhã, tire o filhote do crate e leve-o para urinar/defecar. Pelas duas primeiras semanas, você precisará carregá-lo no colo para evitar que ele se alivie no meio do caminho. Quando chegar na área externa (ou no jornal, depende de onde você estabelecer como banheiro), diga “xixi” e posicione o filhote no chão sempre no mesmo cantinho. Nesse momento, não deixe o filhote sem supervisão. Aguarde em silêncio enquanto ele faz suas necessidades. Quando ele fizer, elogie efusivamente, fazendo muito carinho ou dando petiscos, e leve o filhote para o crate novamente. Se, dentro de alguns minutos, o filhote não se aliviar, traga-o para dentro e coloque-o no crate. Não deixe o filhote brincando fora de casa. Ao recolhê-lo assim que ele urina ou defeca, você mostra que a área externa (ou jornal), pelo menos por enquanto, é só para “banheiro”.
Mantenha a área externa (ou a de serviço, onde fica o jornal) livre de fezes. Um leve odor de urina é até útil para ajudar o filhote a se guiar e entender que ali é o lugar do xixi. Coloque-o no crate todas as manhãs para reduzir as chances de acidentes dentro de casa, mas só o faça assim que ele tiver se aliviado.

Como sei que o filhote precisa ir ao banheiro?
Quando precisam urinar, os filhotes geralmente interrompem tudo subitamente, agacham e fazem xixi sem cerimônias. Para prevenir acidentes, preste atenção. Quanto tempo faz desde o último xixi do filhote? Se fizer algumas horas que o filhote se aliviou, leve-o para fora e elogie-o quando ele fizer.
Quando precisam defecar, o comportamento é outro. Eles param de brincar e começam a cheirar o chão. Alguns andam em círculos como preparação. Fique de olho nesses indicativos. Se ele estiver mostrando que vai defecar no lugar errado, pegue-o com urgência e leve para a área designada – ainda pode dar tempo de ele fazer no local certo e ser elogiado por isso.
Se pegar o filhote prestes a fazer xixi ou cocô no lugar errado, diga um firme “não”, alto o bastante para surpreendê-lo. Mas não grite com ele, isso pode assustá-lo e causar traumas. Caso você encontre um xixi ou cocô que já tenha sido feito pelo filhote no lugar errado, não grite com ele, nem esfregue o focinho na sujeira. Ele não vai entender nada. Métodos assim podem deturpar o processo de treinamento e criar mais problemas. Depois de limpar a sujeira, utilize um produto que neutralize o odor, à venda em lojas para animais. Isso vai eliminar o cheiro e evitar que o filhote seja atraído para o mesmo local novamente.

Alimentação
O momento da refeição é um dos mais importantes do dia.
A ração fornecida deve ser adequada ao porte do cão, idade e nível de atividade física. Até os seis meses de idade sirva três refeições por dia. Reduza para duas refeições diárias quando ele estiver adulto (a partir de 1 ano ou 1 ano e meio de idade, dependendo da raça). Cães grandes e gigantes precisam comer duas vezes ao dia, nunca menos que isso, ou podem desenvolver uma doença chamada “torção gástrica”, que pode ocorrer quando o estômago deles recebe muito alimento de uma só vez.
Uma regra fundamental consiste em proibir que cão peça pedaços de nossa comida quando estamos almoçando ou jantando. Ele também deve comer somente depois dos humanos, pois em uma matilha os líderes se alimentam primeiro.
É importante valorizar as refeições para não desenvolver um apetite seleto. Por esse motivo não se recomenda oferecer ração à vontade. E esse é o maior problema dos proprietários de primeira viagem: eles permitem que seus cães engordem muito. A melhor coisa é seguir à risca as recomendações quanto à quantidade e o tipo de ração a servir e oferecer as refeições sempre no mesmo horário. Coloque o prato no chão, aguarde 20 minutos (tempo suficiente para seu cão comer) e recolha. Se ele não comer tudo, ficará com fome e, já na próxima refeição comerá com gosto, pois saberá que o prato não vai ficar ali pra sempre.
Se você quiser oferecer petiscos ao cão, lembre-se de reduzir proporcionalmente a quantidade de ração oferecida nas refeições. E pegue leve nos petiscos: eles não têm o valor nutricional da ração e podem engordar o cão, por isso ofereça-os em quantidade restrita.

Vacinação
Vacinas ajudam a proteger os cães e as pessoas de doenças freqüentemente fatais. Algumas vacinas, como a de raiva, são obrigatórias. Vacinas são eficientes quando aplicadas nas datas certas (definidas pelo veterinário), com reaplicações subseqüentes. Filhotes geralmente tomam as primeiras doses entre seis e dez semanas de idade e dois reforços são feitos com um mês de intervalo entre as doses.
O veterinário irá lhe orientar sobre o protocolo vacinal ideal para seu cão, o estilo de vida dele e o ambiente onde ele é criado. Se for levar o cão para viajar com você, não esqueça de comunicar o veterinário. Pode ser que o cão precise tomar vacinas específicas.

Recompensas
Para ser eficientes, as recompensas precisam ter sentido para o cão. Elogios, afagos, carinhos e petiscos são formas de reforço positivos que podem ser usados quando o filhote fizer algo certo. Nesse caso, dê a recompensa imediatamente assim que o cão tiver feito o que você esperava dele. Se esperar muito, o cão não associará a recompensa ao ato e a premiação terá sido em vão.

Punição
Para um cão, não há punição maior do que ser ignorado. Por isso, se der para simplesmente ignorar as atitudes ruins dele, melhor. Do contrário, se pegá-lo em flagrante, diga um “não!” bem firme imediatamente após pegá-lo no ato – ou ele não associará a bronca ao fato e poderá desenvolver ansiedade por não entender você. Um barulho forte quando ele está aprontando também pode ser útil. Uma garrafa pet cheia de moedas pode ser atirada próxima ao cão quando ele estiver roendo o pé da mesa, por exemplo, e o barulhão o fará se assustar. Com algumas repetições ele aprenderá que roer o pé da mesa é igual a levar susto e vai parar sozinho.